29 nov

Um divórcio no Iêmen e nossas práticas motivacionais

MENINA DE 10 ANOS CONSEGUE O DIVORCIO NO IEMEN.

                                   Brincando com os irmãos, a imagem inocente da menina logo se transforma ao ser mencionado o nome do ex-marido, que ela descreve como um homem velho e feio. (Noticia no Portal Terra)

Noticias de costumes ainda existentes em alguns lugares do planeta nos causam perplexidade e indignação. Certamente também causarão perplexidade e indignação em outros países as noticias provenientes do Brasil, que para nós, por ser fato corriqueiro, não nos chama a atenção.

Lembro-me que certa vez em Singapura, assistindo um programa de esportes pela TV, a programação foi interrompida e o plantão da emissora informava que havia ocorrido um crime no País há poucas horas. Estamos tão acostumados com a criminalidade que não nos detemos mais para “coisas tão banais”. Lá os crimes são raros.

No mundo corporativo também existem situações semelhantes: práticas ultrapassadas, que desrespeitam e humilham o colaborador continuam a ser usadas em nome “da boa motivação”. Também não nos importamos com estas práticas, pois estão banalizadas entre nós.

Ontem, em visita a uma empresa, conversei no café com um funcionário que com lágrimas nos olhos disse-me que frequentemente recebe ameaças de demissão caso não aumente o seu volume de vendas. Sua esposa, grávida do primeiro filho, vive apreensiva e tensa. O fato da chegada do primeiro filho também é lembrado constantemente como elemento “motivador”.

Estas empresas esquecem que o sucesso no aumento do volume de vendas é resultado de muito planejamento, esforço conjunto, treinamento consistente e motivação da equipe.

Algumas empresas literalmente colocam o novo colaborador frente a um terminal de computador e uma linha telefônica e sem nenhuma atividade de formação ou informação aguardam resultados satisfatórios.  A dinâmica do mundo corporativo tem mostrado que estas empresas estão perdendo mercado, já não conseguem as metas de um passado recente, mas infelizmente, muitos funcionários sofrerão o trauma do desemprego antes que fechem suas portas, por incapacidade administrativa e de adaptação aos novos modelos de gestão.

Muitos profissionais e empresas não perceberam que os comportamentos, hoje, são outros. Nem o profissional é refém de seu empregador e nem a empresa é “dona “do seu passe, o que realmente existe é uma prestação de serviços.

Tudo é uma questão de custo benefício. Não existe mais oportunidade no mercado para profissionais de boa vontade, o que se busca é eficiência, conhecimento necessário para solução de problemas e comportamento profissional alinhado com as necessidades atuais.

Não importa o lado da mesa que estamos observando, se do empregado ou do empregador, se o primeiro não apresenta um desenvolvimento continuo e que justifique a sua contratação e, se a empresa ainda está utilizando velhas práticas, a união entre ambos é frágil, se um vê sua empregabilidade sob risco a outra certamente está com os dias contados no atual mercado competitivo.

O mundo corporativo está sob uma das maiores transformações desde a revolução industrial, mas muitos profissionais e empregadores ainda não acordaram para esta realidade e creio que nunca o mercado esteve tão carente de coaches com vivência organizacional e consultores que, com espirito de inovação, sabem que direção tomar.

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