21 set

Como não divagar quando tenho algo importante a fazer?

Há alguns anos, todas as vezes em que ia realizar uma tarefa que exigia um nível mais elevado de concentração, parecia que minha mente desobediente insistia em sair a passear, divagando pelos mais diversos cenários. Era iniciar um trabalho e começar a divagar.

Falta de foco era a tônica e isto me proporcionava uma certa tristeza, pois achava que eu era o errado. Sempre que observava outras pessoas se concentrarem naquilo que estavam fazendo eu me admirava com a capacidade que eu não tinha.

Como não sabia que poderia treinar minha mente, eu me achava em uma situação de completo fracasso.

Um grande amigo ensinou-me o caminho das pedras quando disse: “Ao aprender a permitir distrações-pensamentos, sentimentos, impulsos e sensações-de ir e vir na mente, cultivamos uma maneira de liberar-nos das garras de quaisquer estados mentais ultrapassados que ocorrem de tempos em tempos. Distrações são vistos mais claramente quando a mente é dada apenas uma coisa a fazer, e colocar a atenção na respiração é uma maneira hábil para ancorar a mente, de modo que o “cabo” na âncora possa ser sentido”.

De pronto não entendi muito bem o que tentou me dizer, tanto que resolveu explicar com um exercício como isto não seria difícil.

É este exercício que quero compartilhar com você agora:

  1. Sente-se em uma posição confortável em uma cadeira de encosto reto, sem encostar-se, de modo que sua coluna fique ereta e autossustentada.
  2. Assuma uma postura altiva, ereta e confiante, mas que seja confortável. Não cruze as pernas e observe que seus pés toquem o chão. Feche seus olhos.
  3. Sinta seu corpo. Observe o seu corpo em contato com o assento da cadeira e a pressão de seus pés no chão. Observe o contato de sua roupa com sua pele e as sensações físicas que isto causa em você. Passe um ou dois minutos observando estas sensações.
  4. Observe sua barriga. Agora traga a sua consciência para as mudanças nos padrões de sensações físicas no baixo ventre como os movimentos causados pela respiração. (Quando você tentar esta prática, pode ser útil colocar sua mão em seu abdômen inferior e sentir este movimento. Tendo “sintonizado” as sensações físicas nesta área desta forma, você pode remover a sua mão e continuar a concentrar-se nas sensações na parede abdominal).
  5. Fique atento apenas em sua respiração. Concentre sua atenção nas sensações de ligeiro alongamento da parede abdominal que aumenta em cada inspiração e de deflação a cada expiração. Aumente o nível de atenção a todas as sensações físicas ocasionadas pela respiração. Comece a observar também o que ocorre naquele pequeno espaço de tempo entre inspiração e expiração.
  6. Não tente mudar ou “corrigir” sua respiração. Não há necessidade de tentar controla-la de forma alguma. Você não tem que atingir estado algum, apenas preste atenção em sua respiração. Nada terá que ser diferente do que é, apenas respire e sinta as sensações.
  7. Cedo ou tarde (geralmente mais cedo), sua mente vai começar a divagar, saindo do foco da respiração no abdome inferior. Muitas coisas virão à sua mente, tais como planejamentos, atividades, itens esquecidos, devaneios, etc. Não impeça, apena perceba que você divagou e retorne (sem culpa) a sua atenção à respiração. Divagar não é um erro, é normal, mas o importante é saber retornar ao estado de atenção. Quantas vezes divagar, perceba que sua mente “viajou” e retorne a atenção lentamente à respiração. O fato de tomar consciência que divagou, logo no inicio que isto acontece, é o grande objetivo.
  8. Continue prestando a atenção na sua respiração por aproximadamente 10 minutos. (Uso o timer do celular para me avisar). Lembre-se que de vez em quando sua mente vagará, apenas retorne à respiração, mais nada, sem se culpar por tem “viajado”, pois é natural.

Minha sugestão é para que pratique este exercício diariamente por 10 minutos, se possível logo cedo ao acordar e a noite, pouco antes de dormir, durante 30 dias consecutivos. Você perceberá que após alguns dias, sempre que estiver realizando uma tarefa, sua mente vagará cada vez menos.

Há anos incorporei esta pratica ao meu dia a dia e hoje consigo ter atenção plena na atividade que estou exercendo mesmo estando em meio a cenários bastante ruidosos e tumultuados.

Vale a pena o pequeno esforço necessário para acostumar com esta pratica. O seu comprometimento com ela será amplamente recompensado.

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